Restrições internacionais e novas exigências das cadeias produtivas estão acelerando a busca por revestimentos com menor impacto ambiental
As substâncias per e polifluoroalquiladas, conhecidas como PFAS, tornaram-se um dos principais temas ambientais e regulatórios da indústria química mundial.
Esse grupo reúne milhares de compostos utilizados por sua resistência ao calor, à água, aos agentes químicos e ao desgaste. Entretanto, algumas dessas substâncias apresentam elevada persistência e podem permanecer no ambiente por longos períodos, razão pela qual ficaram conhecidas como “químicos eternos”.
No tratamento de superfícies, determinados PFAS podem estar presentes em formulações utilizadas para reduzir atrito, melhorar a lubricidade e controlar o desempenho de revestimentos técnicos.
Onde os PFAS aparecem no setor?
Uma das aplicações discutidas pelo mercado está nos revestimentos zinc flake, utilizados para proteger componentes metálicos contra corrosão, especialmente fixadores empregados pelas indústrias automotiva, de máquinas e de equipamentos.
Em alguns sistemas, compostos fluorados como o PTFE são utilizados em selantes, lubrificantes ou camadas de acabamento para controlar o coeficiente de atrito.
Essa característica é particularmente importante em parafusos e peças roscadas. O atrito interfere diretamente na relação entre o torque aplicado e a força de aperto obtida durante a montagem.
Substituir uma substância sem reavaliar todo o sistema pode alterar:
- Coeficiente de atrito;
- Resistência à corrosão;
- Estabilidade térmica;
- Comportamento durante a montagem;
- Resistência ao desgaste;
- Repetibilidade do aperto.
Portanto, a transição para sistemas livres de PFAS não consiste apenas em retirar um componente da formulação. É necessário validar o desempenho técnico do revestimento nas condições reais de aplicação.
O que está acontecendo na Europa?
A União Europeia avalia uma proposta ampla para restringir a fabricação, a comercialização e o uso de PFAS. O processo está sendo conduzido no âmbito do regulamento europeu REACH e ainda passa por avaliações técnicas, ambientais e socioeconômicas.
Em março de 2026, os comitês científicos da Agência Europeia de Produtos Químicos avançaram na análise da proposta. A previsão é que a avaliação científica seja concluída após a opinião final do Comitê de Análise Socioeconômica. Depois disso, caberá à Comissão Europeia e aos Estados-membros decidir como uma eventual restrição será implementada. Parlamento Europeu
Isso significa que a proibição geral ainda não está em vigor. Mesmo assim, empresas que fornecem para cadeias internacionais já precisam acompanhar o tema.
Montadoras, fabricantes de componentes e grandes grupos industriais podem estabelecer exigências próprias antes mesmo da conclusão de uma legislação abrangente.
A substituição exige testes e rastreabilidade
A migração para alternativas livres de PFAS precisa ser conduzida com método.
Antes de aprovar um novo sistema, é importante avaliar a formulação, o substrato, a geometria da peça, o método de aplicação e os requisitos do cliente.
Entre os ensaios que podem ser necessários estão:
- Resistência à corrosão;
- Medição da espessura;
- Controle do coeficiente de atrito;
- Ensaios de torque e tensão;
- Aderência;
- Resistência química;
- Estabilidade térmica;
- Avaliação do acabamento visual.
O Portal Tratamento de Superfície destaca que a substituição de lubrificantes fluorados em sistemas zinc flake ainda apresenta desafios, principalmente na manutenção do desempenho em diferentes temperaturas e condições operacionais. Portal TS
Também será necessário revisar fichas técnicas, documentos de segurança, declarações de conformidade e informações fornecidas por toda a cadeia de suprimentos.
Preparar-se agora reduz riscos futuros
Mesmo empresas que não exportam diretamente podem fornecer peças para fabricantes integrados a cadeias globais. Por isso, a ausência de uma restrição brasileira equivalente não elimina o risco comercial.
O primeiro passo é mapear:
- Quais produtos contêm substâncias fluoradas;
- Em quais processos são utilizados;
- Quais clientes possuem restrições próprias;
- Quais alternativas já estão disponíveis;
- Quais testes serão necessários para homologação;
- Quanto tempo será necessário para realizar a transição.
A SustenTS, por meio da integração entre Quimidream, Green Palm e Hook, acompanha as transformações do setor e a busca por processos de tratamento de superfícies mais eficientes e responsáveis.
A transição para soluções livres de PFAS não deve ser conduzida pelo medo, nem por promessas verdes apressadas. Ela precisa ser sustentada por conhecimento químico, testes, rastreabilidade e desempenho comprovado.
Na indústria, sustentabilidade só se mantém quando também entrega qualidade.
